domingo, 31 de janeiro de 2010

Novo dia, Novo espectáculo...

Novo dia
Novo espectáculo
Sente-se a electricidade no ar
O público está ansioso
Querem ver o desenrolar do espectáculo
Até porque este
Será o último ao vivo…
E o mágico prometeu um final arrebatador

O espectáculo começa
Uns truques simples para aquecer
O mágico faz aparecer tigres
Fala com o além
Entra em combustão e sai ileso
Desafia a própria Morte num jogo de xadrez
Coisas simples…

Chega um outro truque
O mágico vai fazer desaparecer alguém
A plateia excita-se
Todo o público quer participar
Mas o mágico escolhe a sua ajudante
Ela estranha a sua escolha
O truque não estava programado
Mas lá vai ela
Passo a passo
Não sabe o que lhe espera

O mágico vai buscar um caixão
E diz para a ajudante entrar
O truque é “A ilusão da Morte”
O mágico mascara-se de Morte
O truque vai começar
O ambiente do espectáculo torna-se escuro
Sombrio, frio…
A atmosfera está pesada
De repente vê-se um clarão
E a sala fica toda escura
Aos poucos e poucos
A sala é iluminada por chamas
O caixão está a arder
A ajudante morreu
Afinal o truque não se tratou de uma ilusão da Morte
A Morte esteve lá…

O mágico vira-se para o público
E, soltando gargalhadas
Grita para que o público oiça bem
“A vingança serve-se num prato frio!”

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Quem me dera poder não sentir
Ser um ser desprovido de emoções
Grande parte das vezes as emoções
Só trazem mal-estar, não as tendo
Torna-se impossível estar triste
Angustiado, irritado

Não amamos, assim não sofremos
Não temos saudades de ninguém
Somos autênticos robôs
Mas também não sentimos prazer
Alegria, felicidade…

Sem emoções não somos humanos
O humano sente, ao não sentir
Não somos humanos.
Quero ser humano,
Mas não quero sentir o que nos
Põe mal, apenas
Quero sentir felicidade…

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Apetece-me escrever...

Apetece-me escrever.
Não sei o quê,
nem sei como,
apenas quero escrever.
Há tanta coisa que escrever,
sociedade, crise, guerra,
paz, até mesmo
criticar o estado do país,
que já agora, está uma miséria.
Mas não sei o que escrever.
Não sei o que gatafunhar no papel.
Quero escrever sobre nada.
Sobre o vazio.
O que se pode escrever sobre o vazio?
Nada, é o que se pode escrever sobre o vazio.
E agora? O que escrevo?
Posso falar de filmes
como o Tubarão,
ou outro qualquer,
mas esses filmes são fantasia,
acabam por não ser reais.
O que é real?
Real é o que nós sentimos?
E se não sentirmos nada?
Quem não sente, não sente a realidade?
Para ele nada é real?
É tudo um sonho, uma fantasia.
Mas e se a realidade não existir?
Vivíamos num mundo de sonho.
Assim parece que a única coisa,
que nos separa da realidade
é o sono.
Ao adormecer, entramos num mundo irreal,
ao acordar, entramos no “mundo real”.
E aí temos a noção de que a realidade
nem sempre é o que sonhamos,
de que a vida é dura.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

É a vida...

“A vida não é como a gente quer, é como a fazemos!” (anónimo)
Realmente, a vida não é como nós queremos que ela seja, nem sempre o que nós queremos que aconteça é o que acontece, a vida é assim, paciência... A vida é o derradeiro jogo, em que nós temos de escolher entre várias hipóteses que acabarão por influenciar o futuro, nosso e dos outros. Não é por querermos muito que aconteça uma coisa, que ela acabará por acontecer, nós temos de a merecer, e como o fazemos para merecer? Trabalhamos, “fazemos”, a vida é moldada por nós sem que nos apercebamos disso, trabalhamos, e trabalhamos, para que consigamos construir o nosso futuro, mesmo não sabendo o que nos espera. A vida é isto, nascemos, crescemos, aprendemos, passamos ao mercado de trabalho, construímos família, envelhecemos, depois aos 65 vem a reforma, onde temos o nosso descanso merecido depois de anos e anos de trabalho árduo. Até que chega o dia final, em que a morte nos bate à porta, e o ciclo recomeça…