sexta-feira, 24 de junho de 2011

Carta

Esta carta dirige-se a ti. Sim a ti, tu que lês esta carta.
Porquê a ti?
Porque lês esta carta, e possivelmente não tens noção do que se passa lá fora, nem tu nem ninguém.
E o que fazes perante essa tua ignorância quase que pecaminosa?
Absolutamente nada, olhas para o que se passa lá fora, e ignoras o que se passa.
Preferes viver no teu mundo, sem as atrocidades deste, és um feliz imbecil, que não tem noção da realidade.
Não ages, nem reages.
Já pensaste sequer no que poderias fazer se deixasses esse teu mundinho, e vivesses no mundo real?
Se calhar continuavas sem fazer nada, mas ao menos tinhas uma pequena noção do que se passa à tua volta.
Possivelmente continuavas sem agir ou reagir ao que se passa?
então deixa-te disso, e passa a agir, tu e todos os outros que pensam o mesmo que tu pensas, nada.
E, agora, sabes o que se passa à tua volta?
E já fazes alguma coisa?

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Uma cidade sem leis
Escura, fria
Sente-se um cheiro nauseabundo
Onde o crime manda
A libertinagem toma lugar
Há jogo, prostituição legal
Tudo é legal na cidade
Cada um faz o que quer
Ninguém é julgado
Cometem-se crimes a toda a hora
A cidade em si é um crime
Não há ninguém honesto
São automaticamente eliminados
É uma cidade degradada
Vazia, sem alma
Quase acabada
Quase sem vida
A vida morre na cidade
As pessoas não têm remorsos,
Sentimentos…
Está tudo acabado
Na cidade do pecado

sábado, 16 de outubro de 2010

Um pouco mais que o nada
Um pouco menos que o tudo.
Tão desejada como se
Fruto proibido se tratasse.

O meu cérebro pára.
Não sei o que fazer.
Quero agarrar esse fruto
Mas está distante demais.

Estou louco,
Agora, não paro de pensar
Em mil e uma maneiras
De alcançar o que quero.

Alcancei um estado
De pura insanidade.
Daqui não quero sair mais.
Quero prender amarras
Neste estado em que estou
Assim chego ao fruto proibido.
E por aqui quero ficar.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Circo

Entrem! Entrem!
O espectáculo está prestes a começar!
Neste circo que é o mundo,
Existem imensas atracções!
Desde o rico muito rico
Ao pobre muito pobre.
A pessoa que come excessivamente
À pessoa faminta.
Os doidos que se matam por alguém "superior"
Aos que salvam vidas.
A pessoa que brinca com armas
E as que sofrem com estas.
Temos ladrões que se afirmam santos
E santos que são ladrões!
Roubaram-lhe dinheiro?
Não há problema,
Os nossos palhaços irão resolver o assunto
Com a maior incompetência!
Temos os mais fabulosos ginastas do mundo,
Eles até com dinheiro fazem ginástica!
Isto tudo acontece,
No circo onde somos as atracçoes principais!
O espectáculo está a acabar!
Saiam! Saiam!

sábado, 15 de maio de 2010

Morte cerebral

no meio do nada
encontra-se,
sempre a pensar.
quase asfixiante,
o seu pensamento.
quer parar de pensar
mas querer nao é poder,
e crer...
ele cre na resposta ás suas questões.
qual o sentido da vida?
o tempo passa...
tic tac tic tac...
e continua a pensar,
em quê?
qualquer coisa serve
desde a carta que cai no chão
até à sua própria existência.
começa a pensar se é real
se o seu corpo não é fruto do nada
se é ele é um sonho
assim sendo, não morrerá.
com isto tudo
o seu cérebro colapsa
deixou de pensar...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Quem és tu?

Conheci alguém
Com quem posso falar,
Rir, discutir
Alguém com quem possa estar
Amar e ser amado,
Se for esse o caso
Olhei para a pessoa
Pela coluna passou um arrepio
Não sabia no que pensar
Dizer ou fazer
Tiras-me do sério
Com esse teu mistério
Quem és tu?

terça-feira, 2 de março de 2010

O ultimo espectáculo

Condenado à cadeira eléctrica
Os truques acabaram-se
Para o mágico, agora só resta esperar
É morte certa para ele…

Ele é chamado
É uma questão de minutos
Até morrer
Uma simples descarga

Entra na sala, é branca
Apenas um vidro separa-o do “público”
Este já não irá ver mais nenhum truque
O espectáculo termina por aqui

O mágico senta-se
E preparam-no para o choque
Ele está calmo e sereno
Sabe que chegou a sua hora

Está tudo pronto
O mágico olha para o público
Acena-lhes
E sorri.

3, começa a contagem
2, o público cola-se ao vidro
1, o mágico morreu
O espectáculo acabou

Ele nem se mexeu
Ao tirarem os aparelhos do corpo
A cabeça cai
Era um boneco

Na cabeça encontra-se um papel
Está escrito…
Diz “the show must go on”
E é verdade, o espectáculo não podia terminar
Com a morte do artista.

O que é feito do mágico?