terça-feira, 26 de outubro de 2010

Uma cidade sem leis
Escura, fria
Sente-se um cheiro nauseabundo
Onde o crime manda
A libertinagem toma lugar
Há jogo, prostituição legal
Tudo é legal na cidade
Cada um faz o que quer
Ninguém é julgado
Cometem-se crimes a toda a hora
A cidade em si é um crime
Não há ninguém honesto
São automaticamente eliminados
É uma cidade degradada
Vazia, sem alma
Quase acabada
Quase sem vida
A vida morre na cidade
As pessoas não têm remorsos,
Sentimentos…
Está tudo acabado
Na cidade do pecado

sábado, 16 de outubro de 2010

Um pouco mais que o nada
Um pouco menos que o tudo.
Tão desejada como se
Fruto proibido se tratasse.

O meu cérebro pára.
Não sei o que fazer.
Quero agarrar esse fruto
Mas está distante demais.

Estou louco,
Agora, não paro de pensar
Em mil e uma maneiras
De alcançar o que quero.

Alcancei um estado
De pura insanidade.
Daqui não quero sair mais.
Quero prender amarras
Neste estado em que estou
Assim chego ao fruto proibido.
E por aqui quero ficar.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Circo

Entrem! Entrem!
O espectáculo está prestes a começar!
Neste circo que é o mundo,
Existem imensas atracções!
Desde o rico muito rico
Ao pobre muito pobre.
A pessoa que come excessivamente
À pessoa faminta.
Os doidos que se matam por alguém "superior"
Aos que salvam vidas.
A pessoa que brinca com armas
E as que sofrem com estas.
Temos ladrões que se afirmam santos
E santos que são ladrões!
Roubaram-lhe dinheiro?
Não há problema,
Os nossos palhaços irão resolver o assunto
Com a maior incompetência!
Temos os mais fabulosos ginastas do mundo,
Eles até com dinheiro fazem ginástica!
Isto tudo acontece,
No circo onde somos as atracçoes principais!
O espectáculo está a acabar!
Saiam! Saiam!

sábado, 15 de maio de 2010

Morte cerebral

no meio do nada
encontra-se,
sempre a pensar.
quase asfixiante,
o seu pensamento.
quer parar de pensar
mas querer nao é poder,
e crer...
ele cre na resposta ás suas questões.
qual o sentido da vida?
o tempo passa...
tic tac tic tac...
e continua a pensar,
em quê?
qualquer coisa serve
desde a carta que cai no chão
até à sua própria existência.
começa a pensar se é real
se o seu corpo não é fruto do nada
se é ele é um sonho
assim sendo, não morrerá.
com isto tudo
o seu cérebro colapsa
deixou de pensar...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Quem és tu?

Conheci alguém
Com quem posso falar,
Rir, discutir
Alguém com quem possa estar
Amar e ser amado,
Se for esse o caso
Olhei para a pessoa
Pela coluna passou um arrepio
Não sabia no que pensar
Dizer ou fazer
Tiras-me do sério
Com esse teu mistério
Quem és tu?

terça-feira, 2 de março de 2010

O ultimo espectáculo

Condenado à cadeira eléctrica
Os truques acabaram-se
Para o mágico, agora só resta esperar
É morte certa para ele…

Ele é chamado
É uma questão de minutos
Até morrer
Uma simples descarga

Entra na sala, é branca
Apenas um vidro separa-o do “público”
Este já não irá ver mais nenhum truque
O espectáculo termina por aqui

O mágico senta-se
E preparam-no para o choque
Ele está calmo e sereno
Sabe que chegou a sua hora

Está tudo pronto
O mágico olha para o público
Acena-lhes
E sorri.

3, começa a contagem
2, o público cola-se ao vidro
1, o mágico morreu
O espectáculo acabou

Ele nem se mexeu
Ao tirarem os aparelhos do corpo
A cabeça cai
Era um boneco

Na cabeça encontra-se um papel
Está escrito…
Diz “the show must go on”
E é verdade, o espectáculo não podia terminar
Com a morte do artista.

O que é feito do mágico?

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Arte?

Arte,
A mais fiel amiga do homem.
É através dela que um mundo se abre.
É a maior confidente do homem.
É com ela que o homem
Passa para a realidade
Tudo aquilo que sente
Ou quer sentir.
É o pensamento a exprimir-se,
o maior acto de liberdade do ser humano.
É passar o que pensamos para uma folha,
Tela, barro, qualquer coisa.
E nada nos impede disso.
A liberdade é isso mesmo, arte…

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Tem frio
E nada o aquece

Tem fome
E nada o sacia

É pequeno
Em nada engrandece

Tem alma
Para quê?

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

No meio do nada
Irei erguer o meu templo
Onde posso entrar em contacto com deus
Um deus omnipotente?
Omnisciente?
Omnipresente?
Não
Esse não é o meu deus
O meu deus não me diz nada
Não faz os “10 mandamentos”
Não tem poder nenhum
O meu deus é com quem “falo”
Quando mais preciso.
O meu deus pensa
É humano
O meu deus é a minha consciência
O meu pensamento
Eu sou o meu deus.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Tempo

Resposta a: http://quasepoemasetal.blogspot.com/2009/02/saber-discernir-os-momentos.html


Há tempo para tudo,
Mas não temos tempo para nada.
Andamos sempre atarefados,
Com preocupações.
Não temos tempo para nós,
Nem para as outras pessoas.

O trabalho rouba-nos tempo
Ligamos a televisão para ver algo
E esta faz-nos perder tempo
Com porcarias que passam.

A falta de tempo rouba-nos tudo
As sensações, os sentimentos
Já não lemos um bom livro,
Ou uma boa revista
Já não dá para ir ver uma peça
Ou um filme de jeito
E com isso
O nosso intelecto, e cultura geral
Diminui.
Aos poucos e poucos
A sociedade emburrece.

Desde o nascer
Ao morrer
A cada segundo que passa
É um segundo que perdemos
O relógio não volta atrás
E cada vez temos menos tempo.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Novo dia, Novo espectáculo...

Novo dia
Novo espectáculo
Sente-se a electricidade no ar
O público está ansioso
Querem ver o desenrolar do espectáculo
Até porque este
Será o último ao vivo…
E o mágico prometeu um final arrebatador

O espectáculo começa
Uns truques simples para aquecer
O mágico faz aparecer tigres
Fala com o além
Entra em combustão e sai ileso
Desafia a própria Morte num jogo de xadrez
Coisas simples…

Chega um outro truque
O mágico vai fazer desaparecer alguém
A plateia excita-se
Todo o público quer participar
Mas o mágico escolhe a sua ajudante
Ela estranha a sua escolha
O truque não estava programado
Mas lá vai ela
Passo a passo
Não sabe o que lhe espera

O mágico vai buscar um caixão
E diz para a ajudante entrar
O truque é “A ilusão da Morte”
O mágico mascara-se de Morte
O truque vai começar
O ambiente do espectáculo torna-se escuro
Sombrio, frio…
A atmosfera está pesada
De repente vê-se um clarão
E a sala fica toda escura
Aos poucos e poucos
A sala é iluminada por chamas
O caixão está a arder
A ajudante morreu
Afinal o truque não se tratou de uma ilusão da Morte
A Morte esteve lá…

O mágico vira-se para o público
E, soltando gargalhadas
Grita para que o público oiça bem
“A vingança serve-se num prato frio!”

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Quem me dera poder não sentir
Ser um ser desprovido de emoções
Grande parte das vezes as emoções
Só trazem mal-estar, não as tendo
Torna-se impossível estar triste
Angustiado, irritado

Não amamos, assim não sofremos
Não temos saudades de ninguém
Somos autênticos robôs
Mas também não sentimos prazer
Alegria, felicidade…

Sem emoções não somos humanos
O humano sente, ao não sentir
Não somos humanos.
Quero ser humano,
Mas não quero sentir o que nos
Põe mal, apenas
Quero sentir felicidade…

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Apetece-me escrever...

Apetece-me escrever.
Não sei o quê,
nem sei como,
apenas quero escrever.
Há tanta coisa que escrever,
sociedade, crise, guerra,
paz, até mesmo
criticar o estado do país,
que já agora, está uma miséria.
Mas não sei o que escrever.
Não sei o que gatafunhar no papel.
Quero escrever sobre nada.
Sobre o vazio.
O que se pode escrever sobre o vazio?
Nada, é o que se pode escrever sobre o vazio.
E agora? O que escrevo?
Posso falar de filmes
como o Tubarão,
ou outro qualquer,
mas esses filmes são fantasia,
acabam por não ser reais.
O que é real?
Real é o que nós sentimos?
E se não sentirmos nada?
Quem não sente, não sente a realidade?
Para ele nada é real?
É tudo um sonho, uma fantasia.
Mas e se a realidade não existir?
Vivíamos num mundo de sonho.
Assim parece que a única coisa,
que nos separa da realidade
é o sono.
Ao adormecer, entramos num mundo irreal,
ao acordar, entramos no “mundo real”.
E aí temos a noção de que a realidade
nem sempre é o que sonhamos,
de que a vida é dura.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

É a vida...

“A vida não é como a gente quer, é como a fazemos!” (anónimo)
Realmente, a vida não é como nós queremos que ela seja, nem sempre o que nós queremos que aconteça é o que acontece, a vida é assim, paciência... A vida é o derradeiro jogo, em que nós temos de escolher entre várias hipóteses que acabarão por influenciar o futuro, nosso e dos outros. Não é por querermos muito que aconteça uma coisa, que ela acabará por acontecer, nós temos de a merecer, e como o fazemos para merecer? Trabalhamos, “fazemos”, a vida é moldada por nós sem que nos apercebamos disso, trabalhamos, e trabalhamos, para que consigamos construir o nosso futuro, mesmo não sabendo o que nos espera. A vida é isto, nascemos, crescemos, aprendemos, passamos ao mercado de trabalho, construímos família, envelhecemos, depois aos 65 vem a reforma, onde temos o nosso descanso merecido depois de anos e anos de trabalho árduo. Até que chega o dia final, em que a morte nos bate à porta, e o ciclo recomeça…